sábado, 26 de julho de 2014

São mais felizes aqueles que não criam expectativas, que não vivem no futuro, que não esperam apenas o que desejam, que não param de viver ou vivem apenas para projetar. Entre o ser e o poder ser, são mais felizes aqueles que optam por ser, pois vivem uma consistência exata daquilo que eles verdadeiramente são e não do que poderiam ser ou ter. Dessa forma, completam-se pelo simples fato de não esperarem ser completados, mas por deixarem que a vida se encarregue de fazer isto. Enquanto nada acontece, eles desfrutam do verdadeiro sentido de ser e estar no presente, desprovidos de qualquer frustração criada apenas por concepções de vida não vivida. Entre tantos rodeios que não levam a nada, um fato é simples: são mais felizes aqueles que vivem.

Cecilia Gouveia

sábado, 19 de julho de 2014

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dedinho

Ela encanta 
Floresce e desanda
Sabe ser doce
E um pouco salgada

 É uma mistura de afeto
 Amor e proteção 
Tantas vezes digo que ela é meu fardo, 
Mas ela sabe que não
  
Constrói o seu jardim 
Com flores de lantejoula 
Colore sua meninice 
Com pitadas de aurora

 É que está naquela fase de ser primavera 
Em que a vida se resume em radiante 
e intensa descoberta  

Ela sabe que eu estarei sempre aqui
 E que serei sempre seu alicerce 
Juraremos eterno dedinho 
Para que você nunca esqueça essa prece 

Talvez não entenda nada 
São tantas palavras emaranhadas 
Uma confusão de ideias 
Feitas por essa irmã tão desastrada
  
Este foi um meio que encontrei 
Para dizer o quanto te quero bem
 Parabéns, raio de sol da janela 
Que incomoda todos os dias, 

Mas que é essencial para minha vida 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Plante um poema

Poderia permitir
Tudo em branco
Só um papel amassado
Como qualquer outro

Mas não me contenho
As palavras surgem
Sem motivo ou porquê
E vão decalcando a linha
Buscando sua própria rima

Surge então um nó
Um emaranhado de letras
Que às vezes levam
A lugar algum

Então as palavras seguem
E vão ganhando vida
Ignorando regras e medidas

Mesmo sem moldura ou coxia
Do verso, fez-se brotar a poesia

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

o vento, o banco e o papel

Em passos lentos, naquela estrada, sem a pressa de quem tem alguém à sua espera, caminhei sozinha até o terminal de ônibus. Já era tardezinha, a noite já assumia seu posto. Faltavam quinze minutos para a chegada do próximo ônibus. Naquela rua vazia, com suas árvores imensas havia eu, o cachorro e o mesmo banco de sempre no meio da calçada. Sentei ali, sozinha, e pensei por um infinito instante em você, num sentimento confuso, um tanto estonteado, sem início ou porquê. Talvez nem eu saiba explicar o que estava sentindo, nem o que tudo isso venha a ser, porque não existem palavras que possam decalcar aquela sensação que ainda me atordoa. Na busca insaciável de decifrar aquele momento, abri a pasta, retirei o caderno e dele arranquei a última folha.
Estava me preparando para escrever, buscando uma posição que facilitasse a falta de apoio naquele simples banco de cimento e como se não bastasse, o vento parecia brincar comigo, jogando meu cabelo por entre a caneta, que levemente tentava se deslocar a fim de escrever qualquer coisa que te trouxesse para perto, mas todo traiçoeiro o vento retirava a folha do lugar, remexia para todos os lados, jogando as flores da mangueira sobre o papel amassado, arrancando-o das minhas mãos levando-o para a estrada vazia. Desesperadamente deixei tudo jogado ali e sai correndo atrás daquele papel que girava como peão fugindo de mim. A folha deslizava entre meus dedos, feito pássaro que rejeita a gaiola, como água da chuva que cai e evapora, tudo parecia ter sido planejado por aquele vento traiçoeiro.
Cansei, desisti, apenas fiquei saboreando aquele instante, vivendo intensamente aqueles preciosos minutos, sentindo a rajada de vento que me envolvia como um abraço apertado, carregando um arrepio que lavava a minha alma, na saudade daquilo que não mais existia. Fechei os olhos e parecia que podia te tocar, eu pensei em você naquela breve passagem de tempo, só em você e nada mais. Talvez aquele vento, tão cheio de pilherias apenas queria intensificar aquele momento, torná-lo de certa forma mais real, tão menos quimérico que você.
 Não demorou muito para que eu despertasse. O ônibus chegou, cegando meus olhos com aqueles enormes faróis amarelos, quebrando o silêncio e o sereno da noite que já se anunciava. Peguei a bolsa e a pasta antes esquecidas naquele tosco banco e sem dificuldade apanhei o papel do chão, nele havia apenas uns rabiscos de cinco linhas, um graveto e uma folhinha que caíra do meu cabelo.
Caminhei até o ônibus na calma da noite como quem vaga sem rumo, olhei para a calçada e para o banco entre o crepúsculo, ali você ficou e eu voltei para o meu mundo.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

15:43

Tempo
Tempo
Vaga
Lento

Não passa
Arrasta
Segundos
Não corre

Tudo lento
Contratempo
Ponteiros
Parados
A repousar

Não se avexe
Não se apresse

Hoje não há hora
Nem há mais lugar

Porque agora,
O tempo parou
E foi descansar...

sábado, 14 de julho de 2012

Dissonância

Cores
Suspirando
Desmaiando
Flores

Amores
Delirando
Revelando
Dores

Aurora
Forte
Que devora

Conforte
Agora
A própria sorte